Job 24:11
“Entre as suas paredes espremem o azeite: pisam os lagares, e ainda teem sêde.”
Job 24:11 — João Ferreira de Almeida
Verse 11 of 25 in Job chapter 24 — João Ferreira de Almeida. Read it in context below, with maps, timelines and thematic connections beside the text.
Job 24 — full chapter (João Ferreira de Almeida)
Visto que do -poderoso se não encobriram os tempos porque, os que o conhecem, não vêem os seus dias? Até os limites removem: roubam os rebanhos, e os apascentam. Levam o jumento do orphão: tomam em penhor o boi da viuva. Desviam do caminho aos necessitados; e os miseraveis da terra juntos se escondem d'elles. Eis que, como jumentos montezes no deserto, saem á sua obra, madrugando para a preza: o campo raso dá mantimento a elles e aos seus filhos. No campo segam o seu pasto, e vindimam a vinha do impio. Ao nu fazem passar a noite sem roupa, não tendo elle coberta contra o frio. Das correntes das montanhas são molhados, e, não tendo refugio, abraçam-se com as rochas. Ao orphãosinho arrancam dos peitos, e penhoram o que ha sobre o pobre. Fazem com que os nus vão sem vestido e famintos aos que carregam com as espigas. Entre as suas paredes espremem o azeite: pisam os lagares, e ainda teem sêde. Desde as cidades gemem os homens, e a alma dos feridos exclama, e comtudo lh'o não imputa como loucura. Elles estão entre os que se oppõem á luz: não conhecem os seus caminhos d'ella, e não permanecem nas suas veredas. De madrugada se levanta o homicida, mata o pobre e necessitado, e de noite é como o ladrão. Assim como o olho do adultero aguarda o crepusculo, dizendo: Não me verá olho nenhum: e occulta o rosto, Nas trevas minam as casas que de dia se assignalaram: não conhecem a luz. Porque a manhã para todos elles é como a sombra de morte; porque, sendo conhecidos, sentem os pavores da sombra da morte. É ligeiro sobre a face das aguas; maldita é a sua parte sobre a terra: não se vira pelo caminho das vinhas. A seccura e o calor desfazem as aguas da neve; assim desfará a sepultura aos que peccaram. A madre se esquecerá d'elle, os bichos o comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança d'elle: e a iniquidade se quebrará como arvore. Afflige á esteril que não pare, e á viuva não faz bem Até aos poderosos arrasta com a sua força: se se levanta, não ha vida segura. Se lhes dá descanço, estribam-se n'isso: seus olhos porém estão nos caminhos d'elles. Por um pouco se alçam, e logo desapparecem: são abatidos, encerrados como todos, e cortados como as cabeças das espigas. Se agora não é assim, quem me desmentirá e desfará as minhas razões?