Job 39:3
“Quando se encurvam, produzem seus filhos, e lançam de si as suas dôres.”
Job 39:3 — João Ferreira de Almeida
Verse 3 of 30 in Job chapter 39 — João Ferreira de Almeida. Read it in context below, with maps, timelines and thematic connections beside the text.
Job 39 — full chapter (João Ferreira de Almeida)
Sabes tu o tempo em que as cabras montezes parem? ou consideraste as dôres das cervas? Contarás os mezes que cumprem? ou sabes o tempo do seu parto? Quando se encurvam, produzem seus filhos, e lançam de si as suas dôres. Seus filhos enrijam, crescem com o trigo: saem, e nunca mais tornam a ellas. Quem despediu livre o jumento montez? e quem soltou as prisões ao jumento bravo? Ao qual dei o ermo por casa, e a terra salgada por suas moradas. Ri-se do arroido da cidade: não ouve os muitos gritos do exactor. O que descobre nos montes é o seu pasto, e anda buscando tudo que está verde. Ou, querer-te-ha servir o unicornio? ou ficará na tua cavallariça? Ou amarrarás o unicornio com a sua corda no rego? ou estorroará apoz ti os valles? Ou confiarás n'elle, por ser grande a sua força? ou deixarás a seu cargo o teu trabalho? Ou fiarás d'elle que te torne o que semeaste e o recolherá na tua eira? Vem de ti as alegres azas dos pavões, que teem pennas de cegonha e d'aguia? A qual deixa os seus ovos na terra, e os aquenta no pó. E se esquece de que algum pé os pise, ou os animaes do campo os calquem. Endurece-se para com seus filhos, como se não fossem seus: debalde é seu trabalho, porquanto está sem temor. Porque a privou de sabedoria, e não lhe repartiu entendimento. A seu tempo se levanta ao alto: ri-se do cavallo, e do que vae montado n'elle. Ou darás tu força ao cavallo? ou vestirás o seu pescoço com trovão? Ou espantal-o-has, como ao gafanhoto? terrivel é o fogoso respirar das suas ventas. Escarva a terra, e folga na sua força, e sae ao encontro dos armados. Ri-se do temor, e não se espanta, e não torna atraz por causa da espada. Contra elle rangem a aljava, o ferro flammante da lança e do dardo. Sacudindo-se, e removendo-se, escarva a terra, e não faz caso do som da buzina. Na furia do som das buzinas diz: Eia! e de longe cheira a guerra, e o trovão dos principes, e o alarido. Ou vôa o gavião pela tua intelligencia, e estende as suas azas para o sul? Ou se remonta a aguia ao teu mandado, e põe no alto o seu ninho? Nas penhas mora e habita: no cume das penhas, e nos logares seguros. Desde ali descobre a preza: seus olhos a avistam desde longe. E seus filhos chupam o sangue, e onde ha mortos ahi está.