Job 6:4
“Porque as frechas do Todo-poderoso estão em mim, cujo ardente veneno me chupa o espirito: os terrores de Deus se armam contra mim.”
Job 6:4 — João Ferreira de Almeida
Verse 4 of 30 in Job chapter 6 — João Ferreira de Almeida. Read it in context below, with maps, timelines and thematic connections beside the text.
Job 6 — full chapter (João Ferreira de Almeida)
Então respondeu, e disse: Oh se a minha magoa rectamente se pezasse, e a minha miseria juntamente se alçasse n'uma balança! Porque na verdade mais pesada seria, do que a areia dos mares: por isso é que as minhas palavras se me afogam. Porque as frechas do -poderoso estão em mim, cujo ardente veneno me chupa o espirito: os terrores de se armam contra mim. Porventura zurrará o jumento montez junto á relva? ou berrará o boi junto ao seu pasto? Ou comer-se-ha sem sal o que é insipido? ou haverá gosto na clara do ovo? A minha alma recusa tocal-o, pois é como a minha comida fastienta. Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que me désse o que espero! E que quizesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse! Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me perdoando elle; porque não occultei as palavras do . Qual é a minha força, para que eu espere? ou qual é o meu fim, para que prolongue a minha vida? É porventura a minha força a força de pedra? Ou é de cobre a minha carne? Ou não está em mim a minha ajuda? ou desamparou-me a verdadeira sabedoria? Ao que está afflicto devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do -poderoso. Meus irmãos aleivosamente me fallaram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam. Que estão encobertos com a geada, e n'elles se esconde a neve. No tempo em que se derretem com o calor se desfazem, e em se aquentando, desapparecem do seu logar. Desviam-se as veredas dos seus caminhos: sobem ao vacuo, e perecem. Os caminhantes de os vêem; os passageiros de olham para elles. Foram envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem. Agora sois similhantes a elles: vistes o terror, e temestes. Disse-vos eu: Dae-me ou offerecei-me da vossa fazenda presentes? Ou livrae-me das mãos do oppressor? ou redemi-me das mãos dos tyrannos? Ensinae-me, e eu me calarei: e dae-me a entender em que errei. Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! mas que é o que argue a vossa arguição? Porventura buscareis palavras para me reprehenderdes, visto que as razões do desesperado estão como vento? Mas antes lançaes sortes sobre o orphão; e cavaes uma cova para o vosso amigo. Agora pois, se sois servidos, virae-vos para mim; e vede se minto em vossa presença. Voltae pois, não haja iniquidade: tornae-vos, digo, que ainda a minha justiça apparecerá n'isso. Ha porventura iniquidade na minha lingua? Ou não poderia o meu paladar dar a entender as minhas miserias?