Job 7:16
“A minha vida abomino, pois não viveria para sempre: retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.”
Job 7:16 — João Ferreira de Almeida
Verse 16 of 21 in Job chapter 7 — João Ferreira de Almeida. Read it in context below, with maps, timelines and thematic connections beside the text.
Job 7 — full chapter (João Ferreira de Almeida)
Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? e não são os seus dias como os dias do jornaleiro? Como o cervo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga, Assim me deram por herança mezes de vaidade: e noites de trabalho me prepararam. Deitando-me a dormir, então digo, Quando me levantarei? mas comprida é a noite, e farto-me de me voltar na cama até á alva. A minha carne se tem vestido de bichos e de torrões de pó: a minha pelle está gretada, e se fez abominavel. Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e pereceram sem esperança. Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem. Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais: os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais. Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquelle que desce á sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará á sua casa, nem o seu logar jámais o conhecerá. Por isso não reprimirei a minha bocca: fallarei na angustia do meu espirito; queixar-me-hei na amargura da minha alma. Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda ? Dizendo eu: Consolar-me-ha a minha cama: meu leito alliviará a minha ancia; Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras: Pelo que a minha alma escolheria antes a estrangulação: e antes a morte do que a vida. A minha vida abomino, pois não viveria para sempre: retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias. Que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre elle o teu coração, E cada manhã o visites, e cada momento o proves? Até quando me não deixarás, nem me largarás, até que engula o meu cuspo? Se pequei, que te farei, ó dos homens? porque fizeste de mim um alvo para ti por tropeço, para que a mim mesmo me seja pesado? E porque me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não estarei lá.