Mark 6:16
“Herodes, porém, ouvindo isto, disse: Este é João, que mandei degolar, resuscitou dos mortos.”
Mark 6:16 — João Ferreira de Almeida
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Mark 6 — full chapter (João Ferreira de Almeida)
E partiu d'ali, e chegou á sua patria, e os seus discipulos o seguiram. E, chegando o sabbado, começou a ensinar na synagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: D'onde veem a este estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e taes maravilhas, que por suas mãos se fazem? Não é este o carpinteiro, filho de , e irmão de , e de é, e de e de ão? e não estão aqui comnosco suas irmãs? E escandalizavam-se n'elle. E lhes dizia: Não ha propheta sem honra senão na sua patria, entre os seus parentes, e na sua casa. E não podia fazer maravilha alguma; sómente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. E estava maravilhado da incredulidade d'elles. E percorreu as aldeias visinhas, ensinando. Chamou a si os doze, e começou a envial-os a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espiritos immundos; E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão sómente um bordão; nem alforge, nem pão, nem dinheiro no cinto; Mas que calçassem alparcas, e que não vestissem duas tunicas. E dizia-lhes: Aonde quer que entrardes n'alguma casa, ficae n'ella até sairdes de ali. E, quando alguns vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo d'ali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho para com elles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerancia no dia de juizo para e do que para os d'aquella cidade. E, saindo elles, prégavam que se arrependessem. E expulsavam muitos demonios, e ungiam muitos enfermos com azeite, e os curavam. E ouviu isto o rei (porque o seu nome se tornára notorio), e disse: João, o que baptizava, resuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam n'elle. Outros diziam: É . E diziam outros: É um propheta, ou como um dos prophetas. Herodes, porém, ouvindo isto, disse: Este é João, que mandei degolar, resuscitou dos mortos. Porque o mesmo mandára prender a João, e encerral-o manietado no carcere, por causa de , mulher de , seu irmão, porquanto tinha casado com ella. Porque dizia João a : Não te é licito possuir a mulher de teu irmão. E o espiava, e queria matal-o, mas não podia, Porque temia a João, sabendo que era varão justo e sancto; e estimava-o, e fazia muitas coisas, attendendo-o, e de boamente o ouvia. E, chegando um dia opportuno em que , no dia dos seus annos dava uma ceia aos grandes, e tribunos, e principes da , E, tendo entrado a filha da mesma , e çando, e agradando a e aos que estavam com elle á mesa, o rei disse á menina: Pede-me o que quizeres, e eu t'o darei. E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, até metade do meu reino. E, saindo ella, disse a sua mãe: Que pedirei? E ella disse: A cabeça de João . E, entrando logo apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que immediatamente me dês n'um prato a cabeça de João . E o rei entristeceu-se muito; todavia, por causa do juramento e dos que estavam com elle á mesa, não lh'a quiz negar. E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a cabeça de João. E elle foi, e degolou-o na prisão; E trouxe a cabeça n'um prato, e deu-a á menina, e a menina a deu a sua mãe. E os seus discipulos, tendo ouvido isto, foram, tomaram o seu corpo, e o pozeram n'um sepulchro. E os apostolos ajuntaram-se a , e contaram-lhe tudo, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado. E elle disse-lhes: Vinde vós, aqui áparte, a um logar deserto, e repousae um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo para comer. E foram n'um barco para um logar deserto, em particular. E a multidão viu-os partir, e muitos o conheceram; e concorreram lá a pé de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que elles, e approximavam-se d'elle. E , saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão d'elles, porque eram como ovelhas que não teem pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas. E, como o dia fosse já muito adiantado, os seus discipulos se approximaram d'elle, e lhe disseram: O logar é deserto, e o dia está já muito adiantado; Despede-os, para que vão aos logares e aldeias circumvisinhas, e comprem pão para si; porque não teem que comer. Elle, porém, respondendo, lhes disse: Dae-lhes vós de comer. E elles disseram-lhe: Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer? E elle disse-lhes: Quantos pães tendes? Ide vêr. E, sabendo-o elles, disseram: Cinco e dois peixes. E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em ranchos, sobre a herva verde. E assentaram-ce repartidos de cem em cem, e de cincoenta em cincoenta. E, tomando elle os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou e partiu os pães, e deu-os aos seus discipulos para que os pozessem adiante d'elles. E repartiu os dois peixes por todos; E todos comeram, e ficaram fartos; E levantaram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixes. E os que comeram os pães eram quasi cinco mil homens. E logo obrigou os seus discipulos a subir para o barco, e ir adiante, para a outra banda, defronte de , entretanto que elle despedia a multidão. E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar. E, sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar, e elle sósinho em terra. E viu que se fatigavam remando muito, porque o vento lhes era contrario, e perto da quarta vigilia da noite approximou-se d'elles, andando sobre o mar, e queria passar adiante d'elles. Mas, quando o viram andar sobre o mar, cuidaram que era um phantasma, e deram grandes gritos. Porque todos o viam, e turbaram-se; mas logo fallou com elles, e disse-lhes: Tende bom animo; sou eu, não temaes. E subiu para o barco para estar com elles, e o vento se aquietou; e entre si ficaram muito assombrados e maravilhados; Pois ainda não tinham comprehendido o milagre dos pães; porque o seu coração estava endurecido. E, quando já estavam na outra banda, dirigiram-se á terra de , e ali tomaram porto. E, saindo elles do barco, logo o conheceram; E, correndo toda a terra em redor, começ a trazer-lhe em leitos, aonde quer que sabiam que estava, os que se achavam enfermos. E, aonde quer que entrava, em cidade, ou aldeias, ou logares, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que ao menos tocassem a orla do seu vestido; e todos os que lhe tocavam saravam.